INCOERÊNCIA, PRECONCEITO E IGNORÂNCIA

Véspera das eleições.

No status, uma frase associava o EU com aqueles que sofrem algum tipo de preconceito e/ou exclusão. Propondo que o voto se tornasse pessoal, íntimo, inclusivo, solidário, equitativo, a favor do todo.

Não demorou mensagens de alertas: “cuidado com as ideologias de esquerda, elas não são bíblicas”.

Educadamente, pedi para mostrarem qual frase. Sem responder, afirmavam a necessidade de propostas e candidatos condizentes com um “pensamento cristão”.

Sem sinalização de partido no post, mostrei que cada frase chamava atenção para se votar pensando nas necessidades imediatas do meu próximo (mais bíblico impossível!), mesmo que ele não seja do mesmo gênero, religião, condição social…

Ninguém é livre sem extensão de direitos e oportunidades para toda sociedade. Se meu voto não expressa isso, defendendo apenas aqueles que considero iguais a mim, estarei sendo mais um algoz.

Paralelamente em um grupo alguém postou um vídeo de um pastor falando da incoerência de se orar por cristãos perseguidos pelo mundo e, aqui, votar na esquerda.

A foto de uma das candidatas a prefeitura local visitando um “Terreiro” inflamou o discurso religioso.

“Aliança diabólica!”, ouviu minha mãe de uma de suas conhecidas orientada por algum pastor.

Liberdade religiosa só é válida quando me é conveniente?

Acostumados a verem o diabo em tudo, alguns não percebem quando ele vem vestido de ignorância, incoerência e preconceito.

Religião e política, historicamente, quando se juntaram produziram tragédias. No presente não tem sido diferente.

Falta de conhecimento, de estudo e exploração do medo.

O pensamento laico, a separação da religião e da política, será ilusória enquanto os interesses pessoais e a falta de coerência moral/religiosa forem avalistas de projetos que ampliam os abismos sociais, educacionais e relacionais.

Se a religião corrobora a exclusão dos que pensam e são “diferentes”, ela será apenas reflexo da sociedade “demoníaca” que combate e não de seus valorosos princípios, como diz. Alguns religiosos não entenderam que CIDADANIA não depende de fé, mas de caráter!


Iverson Silva é professor de História da Rede Pública, Historiador e Escritor.




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