ZONA DE SEGURANÇA: O LABIRINTO COMO UMA METÁFORA URBANA

O espaço urbano é o lugar onde ocorrem as desigualdades, as lutas de classe, as violências contra grupos e indivíduos que compartilham do mesmo espaço onde habitam aqueles que os oprimem. Estes, porém, vivem experiências diferentes que por consequência geram narrativas diferentes a partir do ponto de
vista das desigualdades e das condições a que estão sujeitos. Se tomarmos o homem como produto do meio, poderemos estabelecer uma série de realidades paralelas que convivem e compartilham do mesmo lugar: o espaço urbano.

Nem sempre lidamos com as diferenças e as dores de cada grupo ou de cada indivíduo, pois além de não podermos interferir no livre arbítrio, não possuímos a capacidade de nos colocar no lugar do outro, uma vez que ele participa do espaço urbano de maneira diferente, tem acesso às informações e ambientes de maneira diferente, nos restando apenas a consciência sobre a empatia. É certo que, conforme os meios de comunicação rápida e as redes sociais tiveram o propósito de democratizar o acesso à informação e permitir a aproximação de grupos, na verdade percebemos que as próprias redes de informação tornaram-se ferramentas para separação de grupos. Não estamos falando apenas de esquerda ou direita – das bolhas ou do espectro político da coisa, mas também falando daqueles que possuem acesso às redes e aqueles que não possuem, ou acessam de forma limitada, sem o desfrute da real potencialidade das ferramentas que são ofertadas.

Nesta instalação digital – concebida como produto de uma residência artística, parte do programa American Arts Incubator, oferecido pela embaixada estadunidense em diversos países para possibilitar o intercâmbio cultural de seus artistas com outras culturas – o labirinto surge como uma metáfora para o espaço urbano, onde convivem isoladas e por vezes escondidas, as diversas narrativas. O usuário é colocado no lugar de alguém que participa deste espaço dentro da sua zona de conforto, o meio do labirinto. Partindo desta zona de conforto o espectador é levado a explorar o labirinto e ter contato com outras narrativas impactantes, diferentes daquela vivida por ele mesmo, uma vez que o público alvo desta experiência seria uma público que tem acesso a um museu, que poderia hospedar a exposição, ou um smartphone com tecnologia para acessar o hub em realidade virtual.

As narrativas escolhidas para serem representadas dentro deste labirinto são narrativas que vão de encontro com as problemáticas experienciadas pelas cidades brasileiras, com um recorte específico para as cidades mineiras – tendo em vista as problemáticas geradas pela mineração – na atualidade. A experiência é dividida em três eixos: Os crimes das barragens de mineração; a COVID-19 – e suas influências na questão urbana; e a forma como as cidades lidam com a natureza em sua concepção. Dentro de cada eixo, o espectador é levado a refletir sobre sua própria experiência e perceber a importância da empatia e da compreensão das dores de cada um.

No final do labirinto, o espectador reencontra o seu lugar de conforto, porém modificado, preenchido pelas experiências a que teve acesso no percurso do labirinto. Convidamos o espectador a uma leitura do ambiente urbano, configurado como labirinto, para a compreensão do seu lugar no espaço e reconsideração de seus feitos e posicionamentos.

Link para visitação digital: https://www.aaibrazil.com/exhibition/safetyzone


Danilo Celso é estudante de Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Minas Gerais. É um artista multidisciplinar, trabalha com Arte Digital, Literatura e Artes Visuais além de ter trabalhado como pesquisador na área da inclusão das novas tecnologias, especialmente ferramentas de Realidade Virtual e Realidade Aumentada, como parte do processo de projeto em arquitetura e design. Faz parte do Coletivo Negro Malungo da Escola de Arquitetura da UFMG, já tendo feito parte do Diretório Acadêmico da mesma unidade.


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