ANCESTRALIDADE, POTÊNCIA, EXPANSÃO…

…identidade, expressão, resistência, liberdade.

Esses são alguns dos muitos substantivos que podem ser usados para falar sobre André Medina. Da cidade de Teixeira de Freitas (BA), 25 anos, menino gay preto, os rumos desse excelente artista seguem expandindo horizontes e suas fotografias registram histórias que transcendem o momento presente a olho nu.

Narrativas traduzidas em produções audiovisuais, performances potentes de afirmação identitária, enfoque em produções musicais de artistas negros. Uma junção rica e perfeita de suas duas paixões na vida.

Tudo isso se vê nitidamente no lindo e necessário trabalho de André.

E o que se sente?

Empoderamento.

Empoderamento ao passear pelo seu feed no instagram e acompanhar suas produções. Produções que visam negar os estereótipos construídos acerca do povo preto, que exotizam nossos traços, nosso cabelo, nossa cor e até mesmo, nossos sentimentos.

Empoderamento ao receber um convite dele e participar desses momentos tão únicos e marcantes. Se reconhecer e se afirmar. Despertar o poder adormecido e silenciado pela sociedade racista, machista e lgbtfóbica.

Durante séculos, o que nos foi ofertado se resume a apagamento. Não existir, não gritar, não amar e nem merecer ser amado, não ser.

Essa dívida histórica está bem longe de ser quitada. Mas é por meio da arte, que existe “porque a vida não basta”, que se percebe como a representatividade realmente importa! André Medina é referência nesse sentido, ao despertar nosso olhar poético e sensível, bem como a necessidade de apreciação.

Uma pausa em meio ao caos para admirar e refletir sobre suas fotografias e tudo que está por trás delas. Para se enxergar sob suas lentes, regadas de afeto, empatia e muita, muita autoestima.

Mulheres pretas, homens pretos, LGBTQIA+, crianças, famílias, gerações históricas que se repetem com um quê de autenticidade. Conexões são criadas através do fio da negritude. Um elo que se faz presente a cada novo ensaio e se fortalece em nós, por nós, para nós.

Para exemplificar, inspirada em um ensaio recente produzido e fotografado por @and_medinluiz, com a música OUÇA-ME, de Tássia Reis, do qual fiz parte juntamente com a Jéssica Silva (@jeez_z) e Ana Alves Martins (@ana25am), escrevi um poema no dia 25 de julho, Dia da Mulher Negra, Latinoamericana e Caribenha:

Eu me curvo diante das minhas ancestrais
E ouço o que elas têm a me dizer
Eu me curvo diante das minhas ancestrais
E me reconheço como parte de uma imensidão
Minhas raízes estão fincadas em solo fértil
Ontem, foram outras de mim
Hoje, minhas irmãs e eu coexistindo
Amanhã, outras virão
É no poder do toque das mãos, conexão
Da quentura que exala na correria do sangue nas veias históricas potentes
E assim, a linhagem continua
A herança se mantém
E a potência, além.

(@liz_metzker)

Conheçam e acompanhem o trabalho de André Medina nas redes sociais e contribuam na valorização e visibilidade das produções artísticas do extremo sul baiano, um berço riquíssimo de cultura e artistas potentes.

Instagram: @and_medinluiz


Eliza Metzker é poeta, escritora, slammer, graduanda do Curso de Letras Português. Autora de dois livros não publicados (A Vida por trás do Caos – 2018) e (Sobrevivências – 2021/ em andamento), utiliza da sua poesia protesto para denunciar tudo aquilo que fere sua existência e a dos seus. Além disso, aborda sobre o amor preto como cura e os diversos atravessamentos, estereótipos construídos para inferiorizar os traços negros. Encontra na literatura marginal periférica sua válvula de escape, sua maneira de existir no mundo e contar sua própria narrativa. Se encontrou como este corpo feminino negro que sofre, mas que conquista espaços, que também sente e ama.


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