HOMENAGEM A NELSON MANDELA SUSCITA SÍMBOLO DE “LUTA POR JUSTIÇA E IGUALDADE” CONTRA O DISCURSO DE ÓDIO

Comemorando o que seria o 102º aniversário de Nelson Mandela na quarta-feira (21), a vice-secretária-geral das Nações Unidas, Amina Mohammed, saudou o homem que liderou a luta que pôs fim ao sistema racista do apartheid na África do Sul. Carinhosamente conhecido como Madiba, Mandela foi descrito como um exemplo de “coragem, compaixão e um compromisso inabalável com a justiça social e a igualdade”. 

A homenagem ao líder sul-africano foi feita durante uma reunião da Assembleia Geral que celebrava o Dia Internacional Nelson Mandela — comemorado oficialmente no domingo (18). Na visão da vice-chefe da ONU, ele “personificava as aspirações mais elevadas das Nações Unidas e da família humana”.   

Verdade em risco – O discurso de ódio e a negação dos fatos estão se tornando “predominantes nas democracias liberais e nos regimes autoritários”, disse Mohammed, “obscurecendo a verdade, questionando a ciência e minando as instituições democráticas”.   

Ela apontou para uma tendência alarmante de que “pessoas com pouco ou nenhum conhecimento dos fatos históricos são infectadas pelo vírus da desinformação e distorção e abraçam ideologias violentas”. Na visão da vice-chefe da ONU, a pandemia da COVID-19 intensificou isso, retrocedendo anos de progresso na luta global contra a pobreza e a injustiça, deixando os marginalizados e os desfavorecidos sofrendo mais, e muitas vezes sendo culpados por problemas que não causaram, disse ela. 

Os afrodescendentes, indígenas, minorias étnicas ou religiosas — e aqueles que fugiram de suas casas como refugiados — carregam o impacto do racismo, da xenofobia e da intolerância relacionada, de acordo com a funcionária da ONU. 

“Esses são os males que Nelson Mandela enfrentou para criar seu legado duradouro”, disse ela.  

Década da paz – Em setembro de 2018, a Cúpula da Paz de Nelson Mandela na Sede da ONU reuniu representantes do governo e da sociedade civil que se comprometeram a redobrar os esforços por um mundo próspero, inclusivo e justo. Foi declarada de 2019 a 2028 a Década da Paz de Nelson Mandela.

“É nossa responsabilidade individual seguir o exemplo de humildade, perdão e compaixão de Madiba, enquanto defendemos a democracia e a paz em todo o mundo”, disse a vice-chefe da ONU.  

“A pandemia da COVID-19 nos mostrou a importância vital da solidariedade e unidade humanas, valores defendidos e exemplificados por Madiba em sua luta ao longo da vida pela justiça”.   

E com um papel para todos, ela instou o encontro a se inspirar na mensagem de Madiba de que “ cada um de nós pode fazer a diferença na promoção da paz, dos direitos humanos, da harmonia com a natureza e da dignidade para todos”.  

Uma nota pessoal – A vice-secretária compartilhou que, desde sua juventude, quando ela estava tentando encontrar seu caminho, Mandela era uma inspiração pessoal.  

“Enquanto refletimos sobre a vida e obra de Madiba, vamos cada um se levantar e ser contado. Deixe-nos emprestar uma folha de seu otimismo teimoso na empreitada humana”, concluiu. “Vamos todos honrar seu chamado à ação e nos animar com seu legado”.  

Ideais de Madiba  – O presidente da Assembleia Geral, Volkan Bozkir,  disse que na vida e no legado, Nelson Mandela defendeu “a dignidade e igualdade inerentes às pessoas”; dentro e entre as nações, independentemente de raça, nacionalidade ou crença — valores universais, estabelecidos na Carta das Nações Unidas e nos tratados de direitos humanos.  

Como a Assembleia tem a tarefa de defender e proteger esses valores, ele disse que é justo “nos reunirmos aqui hoje para celebrar, promover esses ideais e homenagear Nelson Mandela”. 

Bozkir disse que o nome de Mandela é “sinônimo de luta por justiça e igualdade”, que deve ser lembrado ao se considerar a situação de 82,4 milhões de pessoas deslocadas à força em todo o mundo, mulheres e meninas submetidas à violência sexual e de gênero e à intolerância e a discriminação racial que ameaça erodir o progresso que ele tanto lutou para fazer.  

“Como comunidade internacional, devemos agir coletivamente. Pois não atingiremos as metas da Agenda 2030 enquanto o racismo e a discriminação persistirem”, disse o presidente da Assembleia. 

A pandemia da COVID-19 causou grande sofrimento para indivíduos e nações, colocando os sistemas de saúde sob enorme pressão, criando uma crise socioeconômica sem paralelos e sequestrando nossa trajetória de desenvolvimento, disse Bozkir.  

Na recuperação, os direitos humanos devem ser defendidos para todos, em todos os lugares e os esforços multilaterais incentivando o acesso justo e equitativo às vacinas para todos, acrescentou. 

“Resumindo, devemos agir no espírito de Madiba, se quisermos nos reconstruir melhor”, concluiu o presidente da Assembleia. 

Suaíli ubunti – A Ministra de Relações Internacionais e Cooperação da África do Sul, Naledi Pandor, disse na reunião que “o racismo sistêmico teve um efeito destrutivo” em comunidades em todos os lugares. 

Lembrando à Assembleia que Mandela usou o mundo suaíli ubunti para explicar que “ser livre não é apenas livrar-se das correntes”, mas viver de uma forma que melhore a vida dos outros. Ela disse a frase adicional, Mimi ni kwa sababu wewe ni – que se traduz como “Eu sou porque você é”. 

“Estamos todos conectados e só podemos crescer e progredir com o crescimento e progressão dos outros”, disse ela. 

Matéria originalmente publicada em Nações Unidas Brasil em 22/07/2021 – Atualizado em 22/07/2021.


A ONU (Organização das Nações Unidas) é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.


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