[CAÇADORA DE HISTÓRIAS] ANDRÉ HERNANDEZ: OLHE PARA DENTRO E ENCONTRARÁ O TESOURO

“O que você procura está procurando você”, disse o sábio afegão Rumi há um longo tempo.

Quando leio/escuto essa frase, vem André na minha mente. André Barbosa Hernandez Neto, mais precisamente.

Ele nasceu na cidade mais charmosa e pitoresca do sul do Brasil, Porto Alegre, na alvorada da década de 1981.

André é um artista genuíno. Poeta, compositor, cantor, músico, apresentador, designer e publicitário, enxerga e põe arte em cada movimento de sua vida.

Foto: Arquivo Pessoal

De família amorosa e simples, sentiu uma conexão com a música ainda na adolescência; mas o caminho pra viver dela e nela foi sinuoso. Naquela época, dizer que queria ser músico era praticamente partir o coração dos pais de desgosto. Trabalho mesmo era nos bancos, nos centros administrativos, nos hospitais. Assim, André recolheu aquele sentimento e trilhou um caminho de trabalhos tradicionais – mas com a chama do sonho sempre acesa e aquecida dentro do seu peito.

Ele procurava a música e ela por ele. Foi quando começou a reunir amigos e montar bandas.

Muitas configurações diferentes, experiências pelo Brasil e Europa, gente que acreditou, gente que desistiu, que zombou. Expectativas correspondidas, outras frustradas. Projetos preciosos, pé na estrada, shows com casa cheia. Projetos travados, sem agenda, pandemia.

André e sua banda Lítera -que eu, como admiradora e espectadora,- costumo chamar de entidade.
Porque ele acreditou e depositou toda sua dedicação, esforço e aprendizado numa banda que já teve muitas formações diferentes.

As pessoas vem, vão ele fica. A Lítera fica. Porque ela é tudo o que André sonha e, muitas vezes, só o que ele tinha.

A vida deu não um, nem dois, mas muitos motivos pra ele desistir; porém, ele persistiu.

“O que você procura, está procurando você”: É só olhar pra dentro. Se escutar e pôr em prática.

André, meu querido conterrâneo fez isso e agora abre o coração numa entrevista muito distinta das que já participou. Vamos?

01. Quando foi que sentiu o despertar para trilhar o caminho da música, formar uma banda?

Olha, esse despertar é gradual, não é da noite pro dia, sabe? Ele vai recheado de medo, de insegurança, vontade de desistir. É um ciclo de um momento de muita coragem, daqui a pouco muito medo… Porque é um processo de muita instabilidade. Não é uma profissão que tu decide ser, é uma coisa meio que tu é escolhido. Não é como ser engenheiro, por exemplo. Ser músico é uma coisa meio aberta… Então é bem delicado quando a gente pensa em tomar a decisão de seguir essa carreira. Tu vai indo, indo. Como se fosse um ímã, um magnetismo que vai te puxando, sabe? E muitas vezes eu me questiono o porquê gosto tanto disso tudo… se eu fosse uma pessoa normal, seria mais fácil; mas é assim que sou.

02. Quem é o André quando está tocando?

Hum… A pessoa mais feliz do mundo. Eu amo tocar, amo fazer show. Compor é um processo um pouco doloroso, a “gestação e o parir” são dolorosos; ainda que tenha sua beleza, é recheado de inseguranças. Já fiquei muito nervoso tocando pra  poucas pessoas e super seguro tocando pra muitas. Então assim, não tenho medo do palco, isso não é uma coisa que me incomoda mas eu amo estar no palco. Amo, amo! Fico muito seguro. Às vezes a insegurança dura pouquinho, só a hora de entrar. Depois, só vai.

Isso dá sentido pra minha vida, me faz querer sempre mais e mais. Porque é um privilégio, né? Poder estar num palco, é um lugar de poder também sabe? Tem o microfone, tu fala coisas e tem um monte de pessoas te ouvindo, te aplaudindo. Tem muito carinho, é muito bom.

03. O que diria pra ti mesmo daqui 10 anos?

Nossa, essa pergunta é muito boa. Não faço a menor ideia porque, nesse momento que tô respondendo essa pergunta, eu tô com muita incerteza do futuro, né. Não saberia o que dizer pra mim. Mas se eu pensar em 10 anos atrás, eu diria pra ter mais calma e um pouco menos de ansiedade.

04. O que é a música pra ti? Como te sente se apresentando para um público que pagou pra ver tua arte?

Olha, a música pra mim é tudo. Tudo, tudo mesmo. Parece um clichê essa frase mas não é um clichê gratuito.

Tudo pra mim é uma trilha sonora, a música tá sempre acontecendo em algum lugar. Fazer música e ser reconhecido por isso é o grande propósito da minha vida, é o que dá sentido a ela.

Fazer show, ver as pessoas cantando a tua música, sabendo a letra que tu escreveu e se identificando com isso é, nossa… O grande sentido da minha vida mesmo. De estar e permanecer vivo, de ter coragem de seguir.

Isso realmente é incrível. Ainda que eu não esteja onde gostaria de estar, mas onde preciso estar e cantando pra quem precisa ouvir. Então, isso é incrível, não sei explicar.

05. Que marca tu quer deixar nas pessoas que vão aos concertos?

Eu sempre digo nos shows que faço torcida pra que as pessoas saiam dali melhores do que chegaram, porque é esse o grande lance da experiência de um show. A pessoa saiu de casa, decidiu que naquela noite ia ter um itinerário em direção ao teu espetáculo, estar contigo, passar aquela 1h e pouco ali. Valorizar esse momento tanto dela quanto meu, né? Então, fazer desse momento uma grande experiência.

Por isso que nenhum show é igual ao outro. Nem todo mundo tá com o mesmo ânimo, mesma energia… Um brigou com a família, outro tem x situação, então cada um está com uma energia. Chegando no show, tu transmuta essa energia. Tu não só ouve a música, tu sente. A batida na alma, no coração. Então, eu sempre penso assim: A pessoa tem que chegar no meu show e sair dali melhor que quando chegou. Pra experiência ter sido importante. Gosto de sair assim dos meus shows, dos de outros artistas que vou assistir. Esse é meu lance, essa conexão maior, a experiência do ao vivo que é insubstituível.


Queridas e queridos leitores!

Aqui, quem te escreve é Victória: Escritora, idealizadora do projeto Caçadora de Histórias e colunista da Revista TRAMA.

Começamos esse ano cheio de páginas em branco escrevendo a nossa e trazendo a coluna de maneira ainda especial, porém renovada. Aqui conecto minhas palavras com a arte que a revista respira e traremos, quinzenalmente, histórias de artistas de todos os vieses como literatura, música, cinema,
dança e muitos outros, ajudando a reforçar e relembrar o quanto somos bordados e perfumados por toda essa pluralidade.

Com carinho, esperança e muita fé,
Victória Vieira


Victória Vieira é escritora e idealizadora do projeto Caçadora de Histórias. Caçando e ouvindo histórias, vou escrevendo a tua com minhas palavras e te ajudando a ter um novo olhar sobre ela. Siga o projeto no Instagram.


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