UM CORPO QUE NÃO SE DESMEMBRA DA ARTE

Quando fazemos arte, experimentamos uma espécie de comunhão entre corpo e matéria.

Na experiência criativa, a tinta, a câmera, o papel, não são apenas ferramentas, são uma extensão corporal indissociável, cujo funcionamento é mediado pelo desejo do artista. O desejo evoca, cristaliza e dá forma a uma pequena parte de si mesmo, uma parte abstrata, inominável, intransponível, que só se faz acessível através da união corpo-arte.

Um artista com braços de pinceis, e dedos de ondas sonoras, com pés de palavras e tudo aquilo que não pode ser abandonado ou deixado de lado depois daquilo que cria, revela: o corpo não se desmembra da arte. O corpo existe através da arte e a arte existe através do corpo, como na Teoria Einfühlung de Endell:

Por meio da empatia, o observador pode se sentir um com o objeto observado e o objeto pode
ser experimentado como um ser vivo.

Que é a arte, se não um ser vivo? Que é um ser vivo se não a arte?


Karine Padilha é artista multidisciplinar e graduanda em psicologia na faculdade CESUSC (FLN-SC). Atualmente, trabalha com psicologia e arte, realizando pesquisas e prestando atendimento no CEPSI- Centro de Produção de Saberes e Práticas Psicológicas (FLN SC). Desde 2016, quando passou a estudar os resultados do fazer artístico na mente e no comportamento humano, experimenta diversos recursos de criação e expressão, entre eles a fotografia a pintura e a escrita.


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