Pãodemia E Pandemônio

Hoje, antes de ir para o trabalho, passei na padaria perto de casa para comprar um lanche. De imediato, pedi meu pão preferido. A mulher que me atendeu, a proprietária do estabelecimento, disse que não fazia mais daquele pão, pois mandou o padeiro embora: “Vivia pedindo atestado! Não dou conta disso! E eles ainda querem ganhar salário de médico!”

Limitei-me a dizer: “É uma pena que não tenha daquele pão, pois aqui era um dos poucos lugares onde encontrava dele…”

“O padeiro era bom, moço, mas sabe como é, né?! O outro que encontramos também é bom, mas disse que só vem pra cá se a gente fichar ele! Aí não dá! O jeito é a gente se virar como pode!”

“E o movimento aqui caiu muito com a pandemia?”

“Muito! 50% ou mais!” 

“Vixe! O problema é que isso tá longe de acabar…”

“Não tem vacina, né moço!”

“Mas com aquele presidente mau caráter e assassino que está lá no poder, né?!”

“É… Ele até que tentou fazer alguma coisa que prestasse, mas ele não é do tipo que paga propina pra safado… O Lula fez alguma coisa porque pagou os bandidos muito bem, né?!”

“Ah! Mas esse aí não tem comparação: tem a morte como projeto, né moça?!”

“Que ele é doido isso é mesmo, moço! Cê viu ele falando pro povo não usar máscara?! Não bate bem das ideias! Só pode!”

“Sim!”

“Mas é aquela coisa… A gente não tinha opção, né?!

De repente, assustei com a buzina do carro na rua… 

“Pra você ter uma ideia, moço, eu só não peguei esse tal de corona até hoje porque tomo muito cuidado com máscara e higiene das mãos.”

“Quem bom!”

Saí da padaria sem meu pão preferido, mas convicto de que aquela microempreendedora individual, de fato, lavou as suas mãos…


Sérgio Augusto Vicente é Professor de História e historiador. Graduado, mestre e doutorando em História pelo PPGHIS/UFJF. Atualmente, trabalha no Museu Mariano Procópio – Juiz de Fora – MG. Dedica-se a pesquisas relativas ao campo da história social da cultura/literatura, sociabilidades, trajetórias e memórias.


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