[CAÇADORA DE HISTÓRIAS] RENATA DUARTE: BRILHAR SEM QUEIMAR, ILUMINAR O CAMINHO

Brucia/bruciare é queimar, em italiano. Daí vem a palavra “bruxa”, sempre relacionada às mulheres principalmente durante as Idades Média e Moderna por sua natureza ao parir em cabanas e florestas, por seus conhecimentos com ervas e plantas, por simplesmente saberem.

Mulheres são a fonte da vida e do mistério, são nosso começo, e todos os seres humanos passaram por uma mulher para depois caminhar sobre a Terra. As mulheres brilham sem queimar, ensinam sem arrogância e cuidam sem esperar o retorno.

Hoje em dia, já não vemos as bruxas com seus vestidos de tecido escuro e aventais sujos de terra; já não colhem medicinas em arbustos ou sabem o melhor momento de plantio a partir da observação do céu; mas as vemos reassumindo o protagonismo no parto, cuidando de seu jardim e emocionadas na lua cheia. Também as vemos transformando o jogo de tarot, que sempre levou nomes masculinos, para femininos.

Hoje, te apresento uma mulher que se prepara para ser mãe em breve. Generosa, talentosa, taróloga e que ajuda as pessoas a se reencontrarem com elas mesmas. Se ela vivesse na Europa em meados de 1500, seria queimada na fogueira? Com certeza. Em sua época, porém, ela está numa jornada muito potente. Apresento a vocês: Renata Duarte.

Foto: Arquivo Pessoal

Nascida em 20 de Janeiro de 1992, Renata é metade capricorniana e metade aquariana – e, segundo ela, a partir daí já dá pra sentir a contradição. Nascida e criada no Rio Grande do Sul, Porto Alegre, que é uma região nem tão grande com oportunidades, nem tão pequena para que não se preocupasse com elas.

A Rê veio de uma família batalhadora, mesmo. A mãe, Silvani, trabalhou na área da saúde e ajudou no processo de cura de crianças com câncer com todo o amor por muitos anos. O pai, Renato Duarte, um guerreiro que sempre conquistou seu caminho sendo como ele mesmo diz, “um observador social” e criando profissões que ajudassem o máximo de pessoas a sua volta.

Na infância, Renata passava muito tempo consigo mesma e isso a fazia criar recursos inimagináveis em seu mundo interior. Ao longo da vida, conforme foi crescendo e vendo um mundo cada vez mais desconectado desse mundo interior em que ela habitava, sentiu uma profunda dor ao perceber que as pessoas não viviam com a sua potência de criação, amor e alegria. Mas algo dentro dela dizia que podia mudar o mundo.

Talvez seja por ter um pé no signo de aquário e o outro em capricórnio, ou talvez por viver em umaa região nem tão grande nem tão pequena, mas ela sempre se sentiu um peixe fora d’água. Era como se existisse um mundo interior capaz de criar ideias incríveis e um mundo real que simplesmente não possuía lugar, tempo e nem espaço pra que pudesse viver o que criava. Foi então que nossa bruxa contemporânea saiu em busca de encontrar a cura dentro desse mundo interno e começou a conversar com ele através da arte, pois essa era a única coisa que tinha.

Foi quando passou a desenvolver arte que ela percebeu que, durante o ato de expressar com tinta o que sentia, estava também fazendo uma terapia com ela mesma. Foi então se aprofundando no campo da arte e da Psicologia, percebendo como as duas andavam juntas. Trabalhou com arte terapia onde desenvolveu projetos independentes, trabalhos individuais, sociais e também em grupos de pacientes com todos os tipos de diagnósticos como esquizofrenia e Alzheimer. Sentiu e presenciou muitos avanços nos pacientes que se conectavam com a arte que ela propunha.

A Renata é uma mulher inspiradora, generosa, doce, que viu na imaginação da infância a possibilidade de desenhar um mundo que podia ser real. E foi.

Numa tarde chuvosa e bastante gelada, entrevistei ela. Por telefone, é claro, porque ainda não é o momento do encontro presencial. Trouxe pra cá, para que a gente possa ler juntas/os o que ela tem a dizer e, se depois de tudo isso tu quiser saber mais sobre ela e o tarot, faz uma visita na página do Instagram @carte.ando – mas leva uma boia se quiser voltar pra tua vida atual. Se não, vai mergulhar no autoconhecimento e não vai querer voltar (e te conto um segredo: esse é o melhor caminho!)
Vamos lá?

01. Quando foi que sentiu o despertar para o caminho das terapias e de transformar o Tarot para um foco feminino?

O que eu não sabia que iria acontecer é que acabei tendo um encontro com o Tarot que traz, através de cartas ilustradas com arte, também um acervo sobre a psique humana. Foi amor à primeira vista. Estudei a fundo o tarot e também percebi que muito da minha insatisfação em viver na sociedade que eu estava era por ser mulher e sentir diariamente o quanto essa sociedade afasta a mulher. Por isso, o meu tarot passou a ser um tarot com foco no feminino e que busca trabalhar o autoconhecimento através das mulheres.
Hoje, eu trabalho diariamente olhando mulheres descobrirem quem são, o que querem e  como podem fazer.
Hoje, eu criei uma realidade onde é possível a gente viver o nosso mundo interior no mundo externo.


02. Quem é a Renata quando está do outro lado do baralho?

A Renata do outro lado do baralho é uma mulher que sempre buscou criar uma realidade mais justa consigo mesma e que quer levar a cada mulher o conhecimento de que é possível encontrar dentro de si as respostas para viver a realidade que busca.

03. O que diria pra ti mesma daqui 10 anos?

Eu espero dizer que busquei viver a minha verdade e consegui mostrar a porta pra que o maior número de pessoas também entrem nesse processo.

04. Como te sente sendo alguém que as pessoas procuram para se reencontrar?

Me sinto como uma pessoa que fica com a mão na porta, mostrando pras pessoas que elas podem entrar nos seus processos de autoconhecimento pois é seguro e o que vamos encontrar somos nós mesmos.

05. Que marca tu quer deixar nas pessoas que passam por ti?

A marca que quero deixar, talvez uma tatuagem? (risos) Uma arte? Ou talvez uma semente de que a ideia de um mundo com mais conexão interior é possível e aguarda você do outro lado da porta.


Queridas e queridos leitores!

Aqui, quem te escreve é Victória: Escritora, idealizadora do projeto Caçadora de Histórias e colunista da Revista TRAMA.

Começamos esse ano cheio de páginas em branco escrevendo a nossa e trazendo a coluna de maneira ainda especial, porém renovada. Aqui conecto minhas palavras com a arte que a revista respira e traremos, quinzenalmente, histórias de artistas de todos os vieses como literatura, música, cinema,
dança e muitos outros, ajudando a reforçar e relembrar o quanto somos bordados e perfumados por toda essa pluralidade.

Com carinho, esperança e muita fé,
Victória Vieira


Victória Vieira é escritora e idealizadora do projeto Caçadora de Histórias. Caçando e ouvindo histórias, vou escrevendo a tua com minhas palavras e te ajudando a ter um novo olhar sobre ela. Siga o projeto no Instagram.


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