#2020feelings everywhere

Recentemente eu ouvi a seguinte frase: “se o ano só começa depois do Carnaval, e não vamos ter Carnaval em 2021, então ainda estamos presos em 2020?”. desde então, a frase tem martelado em minha cabeça de tal maneira que não sei o que pensar, só sentir; e os sentimentos são os mesmos que se perpetuaram durante a maior parte de 2020 – ou seja, os piores possíveis. Dor, angústia, solidão, perda, ansiedade… E pensar que tudo começou logo depois do Carnaval!

Faz apenas um ano, mas as lembranças parecem muito distantes, tamanha a quantidade de coisas dentro de nós que aconteceram de lá pra cá. Para falar a verdade, eu não lembro o que fiz no último Carnaval; sei que estava em casa, apenas isso. Como vi em uma série, o cérebro tem um jeito engraçado de guardar as memórias: você pode não se lembrar do que comeu no almoço na última terça-feira, mas certamente lembrará o que almoçou no dia da sua formatura do colégio, ou da faculdade.

Para falar a verdade, o último Carnaval não foi tão diferente da maioria dos meus 31 carnavais. Nunca fui muito de festas (exceto por um certo período específico, no qual as festas começavam na quinta e só terminavam no domingo, mas isso é assunto para outro dia); sendo assim, só de imaginar passar o dia inteiro no calor recifense com uma multidão de pessoas ao redor, sempre preferi ficar em casa, lendo meus livros (romances, de preferência – Marian Keyes e a família Walsh foram os preferidos da minha adolescência).

Perdoe o devaneio! Tentei relembrar dos carnavais passados para não precisar voltar ao que falei logo no início. Mas afinal, ainda estamos presos em 2020? A vacina chegou, é verdade; mas, pelo que vemos, nada vai mudar por um bom tempo. Ainda precisaremos das máscaras, do distanciamento social, do álcool (para limpeza?) em excesso, da paranoia, da angústia. Ainda lidaremos com as perdas dos nossos entes queridos para um vírus que seguimos sem conhecer ou entender direito.

Nossas crianças seguem crescendo isoladas e desconhecendo nossas famílias e nossos amigos. Seguimos com o coração apertado e com a saudade dos abraços apertados e dos encontros com aqueles que tanto amamos. Continuamos dando as notícias (as felizes e as tristes) por videoconferências, e acabamos por nos acostumar a não nos importar mais com o calor humano e com tantas outras coisas.

Algumas escolas já voltaram às aulas, outras voltam em breve; mas até o método de ensino precisou ser modificado e agora é chamado de “híbrido”. Assim, algumas crianças seguem em casa, com aulas por videoconferência. Ou seja, #2020feelings everywhere.

Sendo assim, não importa se o Carnaval for em julho, nem se você tomar a segunda dose da vacina, ou qualquer outra coisa: 2020 ainda não acabou dentro nós. Muito mais do que um simples ano, ele foi um marco que mexeu com todos nós – física, financeira e psicologicamente -, e vamos demorar um bom tempo para nos recuperarmos.


Karina Mendonça é jornalista e escreve desde os 17 anos, pois acredita que as palavras podem fazer coisas maravilhosas, desde mudar o mundo, até fazer alguém sorrir. Ou chorar.


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