Sim, nós podemos!

“Penso, logo, existo.” (Descartes)

“Ser ou não ser: eis a questão.” (Shakespeare)

“A virtude está no meio termo.” (Aristóteles)

Cada uma dessas frases caberia com folga num tuíte. Várias outras igualmente solenes também. Conclusão óbvia: escrever é fácil; escrever bem é que é difícil. Pensei nisso no momento em que me desafiei a escrever algo honesto com menos de 2.000 caracteres.

O estrago civilizatório gerado pelos recentes tuítes de alguns líderes mundiais também me inspirou um pouco na tarefa. Eles causam prejuízos colossais com apenas 140 toques (ainda é essa a medida naquela rede? não sou usuário – atenção: duplo sentido); supus, então, que eu fosse capaz de produzir algo só honesto com o mar de sinais a meu dispor aqui.

Mas escrever bem é realmente difícil. As ideias vêm e demandam um oceano de signos. Sem um mínimo de técnica, a inspiração trupica e as veix cai… Sigo adiante: “O que não me mata, me torna mais forte.” (Nietzsche)

Já sei: 1) sentenças na ordem direta; 2) abusar de orações absolutas (vai no Google, leitor!, preciso economizar caracteres);  3) o mínimo de conectivos (de novo, foi mal). Pronto: até aqui, menos de 1.500 toques. (Já? Eu ainda não disse nada!)

É que é essa mesma a minha sensação hoje, sexta, 08/01/21, no momento em que escrevo. Não tenho o que escrever, não há o que dizer. Não há palavras para dizer da dor de ver mais de 200 mil brasileiros mortos, não só nem principalmente pela COVID, mas pela desinformação, pela sociopatia, pelo oportunismo desmedido e inconsequente. 

E o pior: emudeço porque temo que ainda demoremos a encontrar uma forma de linguagem apta a, de fato, esclarecer para todos nós os passos largos que temos dado rumo ao mais absoluto caos social. E (profundo desespero) não estamos sozinhos nessa canoa furada, como mostram os fatos da semana nos EUA, por exemplo.

Mas um ano se inicia, e precisamos acreditar em nós e na linguagem. Podemos descobrir juntos uma maneira de nos dizermos e nos ajudarmos!

“Yes, we can!” (B. Obama)


Luciano Nascimento é mangueirense, filho, marido, pai, professor, flamenguista, psicopedagogo… mais ou menos nessa ordem. É, também, idealizador do projeto Dê Efiência.


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