O que você faz com o que você vê?

Somos bombardeados diariamente por inúmeras imagens, dos mais variados tipos, que afetam diretamente os conceitos e as ideias que carregamos enquanto “verdades”. Essas imagens comunicam e carregam significados, símbolos, mensagens subliminares. Entre os tipos de imagem, a arte aparece como base do que chamamos de cultura visual, possuindo a capacidade de expressar parte da construção cultural ao mesmo tempo em que a reflete.

Com frequência, nos esquecemos de que a arte, em seu campo visual, também é uma linguagem. Ela comunica com a mesma potência – se não com potência maior – que as linguagens verbais. Aqui, nos deparamos com um ponto que necessita de atenção: se a imagem é uma forma de linguagem tão presente na vida cotidiana, podemos viver sem sermos “alfabetizados” visualmente?

Acreditamos que não. E é nessa brecha que a arte-educação entra em cena com os dois pés na porta. As imagens estão impregnadas de significados, de emoções e de informações. É preciso entender sobre essa linguagem, saber o que ela nos comunica, para nos utilizarmos dela a fim de desenvolvermos nossa interpretação crítica. O estudo dessa forma de comunicação é chamado de leitura visual e precisa estar entranhado no nosso dia a dia. Foi dessa preocupação que surgiu a ideia de criar uma plataforma virtual para abordar questões acerca da arte, das relações entre obra e público e das mais diversas possibilidades de compreensão. O Laboratório Informal de Arte-Educação (LABIARTE) foi desenvolvido a partir de uma necessidade intensa de compartilhar questionamentos e de levantar discussões sobre as manifestações artísticas de forma mais livre do academicismo.

A arte-educação, como o próprio nome já explicita, é uma fusão entre duas áreas do conhecimento. No Brasil, ela surgiu em meados dos anos 70, trazida pela precursora Ana Mae Barbosa, e vem ganhando cada vez mais evidência nos âmbitos formais, não-formais e informais da educação brasileira. O ensino-aprendizagem da arte é, entre outras coisas, uma ferramenta de incitação ao pensamento crítico. Mas é no momento de interação, repercussão e alcance que podemos perceber as lacunas que as teorias podem carregar e, assim, desenvolver formas de repará-las. A condução de uma experiência laboratorial se uniu, então, a estas necessidades de forma maestral, possibilitando que experimentos de interação entre o novo público (virtual) e a arte, em suas mais diversas formas de reverberação, fossem realizados. A partir disso, foi possível delimitar não só o que gera ou não discussões, interações, engajamento, mas principalmente questionamentos e análises críticas dentro deste novo – e perigoso – ambiente.

Como forma de atuação, utilizamos uma área ainda emergente no Brasil: a mediação cultural. Ela percebe o educador artístico como uma ponte que fará o contato entre o público e a arte com o mínimo de interferências possível. Esse educador é quem possibilita que o encontro com a obra de arte possa ser mais acessível e, em algumas situações, até possível.

Contudo, existe uma questão recorrente entre os profissionais da área: exercer uma mediação ou uma conciliação entre o público e a arte?

Parte do trabalho do mediador cultural é entender as formas de linguagem e de interação dos mais variados modos, para que, assim, possa estabelecer uma comunicação mais diversa e inclusiva em suas mediações. O desafio imposto aqui é saber como capturar a atenção e a curiosidade (combustíveis da aprendizagem) dentro de um ambiente que tende a instigá-las de forma tão superficial. Criar propostas que incitem o deslocamento do público de unicamente receptor de informações para ativos no processo de construção do saber se apresenta como uma atividade diária, que exige a reconstrução e reorganização das experiências, enriquecendo o pensamento e a reflexão de todos os envolvidos no processo.

Os caminhos são muitos, mas de uma coisa temos certeza: só chegaremos lá se encararmos os processo de ensinar e aprender como homólogos e simultâneos, possibilitando autonomia e liberdade crítica.


O Laboratório Informal de Arte-Educação (LABIARTE), desenvolvido por Ariel Bertola e Clara Downey, é uma plataforma virtual que promove dinâmicas interativas a fim de desmistificar a arte enquanto área de conhecimento.


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