Beira de Mar

Existe uma fixação pelo mar em mim.

Quando pequena, ia à praia e nem fome sentia. Não me lembrava de almoçar. Queria estar no mar, respirar maresia. Entre as idas e vindas, tendo tido a oportunidade de morar em mais de 14 cidades, aprendi a apreciar com carinho o trabalho dos pescadores. Um lindo remexer com as mãos, braços, como se fosse um balé. Incansável.

Esses dias, parei para conversar com o “Alemão”, pescador há mais de 40 anos na praia de Vila Velha:

“Eu tô remendando os buraco da rede. Eu uso essa essa linha, essa agulha e essa faca. As vêis demora quase dois dia pra consertar todos os buracos. É um trabalho de paciência viu, mas quando cê pega o jeito, não tem erro. Vem cá vou te ensinar. Vê como não tem segredo. Você tem que passar a linha assim por baixo do nó, por dentro, viu? Faz isso duas vêis no nó de três. Aí quando for o nó de dois, você faz trêis vêis. Tem erro não. Mas tem que deixar a linha sempre esticada, igualzinho, pra não ter erro e não ficar torta. Tenta você agora. Eu fico aqui o dia inteiro e não me canso. Eu até que gosto, viu. Hoje não pescâmo no mar não, mas amanhã já vamo armar a rede. Você pode vir aqui, se quiser dar uma olhada. Tem dias que a gente anda essa beira toda aqui seguindo os cardume de peixe. Onde eles vão, a gente vai atrás. Esse aqui é o sustento lá de casa, e eu muito me orgulho. Não tem coisa melhor que esse trabalho, não. A vida no mar é muito boa.” 

Coisa muito boa mesmo, “seu Alemão”.


Caroline Stabenow é fotógrafa e não-escritora.


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