Caçadora de Histórias: Admiração – Observar com amor

Crescer é um processo natural de todo ser vivo, eu sei. Mas nós, humanos, ganhamos um brinde com isso: Um grande desembaçar de olhos. Conforme ficamos mais velhas, passamos a ver o que realmente são tesouros e carregamos cada um deles como se fossem a própria vida.

Hoje, trago uma história que atravessa estados e vilarejos para chegar num coração maior que o mundo. É uma neta falando sobre o avô… Tem algo mais ancestral e especial que isso?

“Meu avô nasceu em Minas Gerais, se radicou no Paraná e, hoje, desfruta de uma vida serena no Rio Grande do Sul. Ele é o contador de piadas mais incrível que há, e para todos os assuntos possíveis, tem uma que encaixa. Todo santo dia, levanta antes do sol, faz a barba, caminha pelo pátio e vê a manhã nascer. Conhece os passarinhos só pela cantoria e adotou o chimarrão como sagrado. Prepara conservas de pimenta fresca para toda a família e em cada vidro cola uma etiqueta com mensagens de amor.

Meu avô é um homem da década de 40 com muitos erros, acertos e a eterna busca pela melhora. Ele me ensinou a ser gentil e leve comigo, com as pessoas e com a vida. Quando muito pequena, nas tardes de Domingo pós-almoço, ele me contava sobre Nossa Senhora de Fátima e as crianças que a viram naquele tempo onde a vida passava devagar. Dizia que a gente tem que ter fé e que só isso pode nos salvar das tristezas.

Ele é engraçado, espirituoso, presente, e tem olhos verdes. Aliás, lembro de uma vez em que estávamos no táxi que ele trabalhava e lá havia um potinho cheio de balas de menta.
Eu olhei pra ele e falei: “Queria muito ter o olho igual o teu!” E ele: “O Vô come essas balinhas e são elas que fazem eles serem verdes, sabia?” Fiquei encantada e comi várias naquele dia. Realmente acreditava que meus olhos estavam mudando de cor e ele nunca me disse que não era verdade, alimentando minha glicemia e imaginação.

Meu avô me ensina todos os dias, e senti que precisava deixar ele marcado em algum lugar além do meu peito, e, aqui está no projeto. Avós são amor de algodão, onde há tempo e toda a ternura da vida. Valoriza os teus sempre, a todo instante. Em abraço, ou… Em oração.”

Gostou da leitura? Então vou te contar um segredo: Contar histórias é a medicina da minha vida.

Uni tudo isso num projeto que floresce de maneira vagarosa e especial que se chama “Caçadora de Histórias”. Tu podes conferir ele lá no Instagram e se quiser participar, escreve para mim através do e-mail tuahistoriaaqui@gmail.com e me deixa te ajudar a enxergar a heroína/herói que és em tua própria trajetória.


Victória Vieira é escritora e idealizadora do projeto Caçadora de Histórias. Caçando e ouvindo histórias, vou escrevendo a tua com minhas palavras e te ajudando a ter um novo olhar sobre ela. Siga o projeto no Instagram.



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