Caçadora de Histórias: A magia está ao lado

O ser humano precisa desesperadamente do amor. Buscamos no abraço fortaleza do pai, no colo da mãe, nos livros, nos filmes, na gota de chuva que beija a pétala de um hibisco.

Precisamos nos sentir amados para seguir adiante e pode ter certeza de que toda criança com escassez de afeto se torna um adulto enfermo.

Se o dia foi difícil, tu chegas em casa, recebe um abraço e logo fica bem. Se um roteirista escreve uma história que conta somente como a personagem conquistou um sonho, não vende. Mas se acrescenta um par de olhos castanhos, canecas com chocolate quente fresco e uma fogueira crepitando: sucesso de bilheteria.

Mas isso tudo não é difícil de entender, tu sabes, somos animais. Mamíferos especificamente e temos a necessidade de sentir a ocitocina para sobreviver nesse mundo selvagem, lindo e… inusitado, vamos dizer.

A história que irá salpicar punhadinhos de brilho na coluna de hoje é sobre esse amor que salva. Vem comigo, por essa estrada:

“Magia. Quem nunca acreditou, ou pelo menos, chegou perto disso?

Éramos eu e minha irmã. Sou mais velha, então, era a capitã das brincadeiras.

A casa que nos criamos era composta de um lindo jardim verde que chegava a doer os olhos, tão vívido era ele. Entre bambus e flores de jasmim, havia uma árvore pequena com sementes amarelas por toda sua copa.

Na época, ela parecia uma grande fortaleza perante nossos tamanhos e tantas histórias e fantasias criamos ali. Era um mundo novo que se abria cada vez que chegávamos perto da Árvore das Fadas.

Sempre tive esse chamego e encanto com a magia, o brilho, a possibilidade de um portal para outro mundo. Eu tinha certeza que as sementes amarelas tornavam-se fadas fofas e atrapalhadas quando nossas pálpebras pesavam e o sono aterrissava.

Passei isso pra minha irmã caçula e ela embarcava nessa aventura. A gente conversava com as fadas, imaginava a cor dos vestidos e das asas, e também qual era o poder de cada uma delas.

No outono, as sementes todas caíam e a árvore murchava. Minha pequena irmã se entristecia e dizia: “Mana, elas foram embora!”. Eu, em meu pouco conhecimento de palavras, tentava explicar pra ela que era necessário, e que, na primavera, elas voltariam mais lindas do que nunca.

Nós crescemos. A casa foi vendida e derrubada. Dela, só sobraram algumas estacas de madeira e a lembrança de uma infância genuína de pés na terra molhada.

Eu e minha irmã seguimos juntas, despejando magia uma na vida da outra. Na mais difícil das estações, lá estava ela. A minha pequena e brava fada. A minha prova de que a magia é real… ou, o amor entre irmãs, que é o mais próximo que já cheguei.”

Histórias, memórias e sensações são os que nos conectam, independente do ponto de partida, classe social e demais lugares de fala. Por isso, tenho um projeto que foi conhecer o mundo virtual esse ano, que se chama Caçadora de Histórias, e ele acontece no Instagram.

Gostou da leitura? Então vou te contar um segredo: Contar histórias é a medicina da minha vida.

Uni tudo isso num projeto que floresce de maneira vagarosa e especial que se chama “Caçadora de Histórias”. Tu podes conferir ele lá no Instagram e se quiser participar, escreve para mim através do e-mail tuahistoriaaqui@gmail.com e me deixa te ajudar a enxergar a heroína/herói que és em tua própria trajetória.


Victória Vieira é escritora e idealizadora do projeto Caçadora de Histórias. Caçando e ouvindo histórias, vou escrevendo a tua com minhas palavras e te ajudando a ter um novo olhar sobre ela. Siga o projeto no Instagram.



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