Vivência artística como prática de Liberdade

A banca de seleção celebra todas as inscrições recebidas, pela altíssima qualidade dos trabalhos enviados para apreciação.

Após analisar atentamente as inscrições a banca decidiu-se, de maneira unânime, pela obra a ser adquirida pelo Fundo Cultural Bodoque.

Entendemos, a partir de Grada Kilomba, que o racismo não só violenta os corpos negros materialmente como também define nossas existências a partir do invólucro da dor, subalternidade, ausência de saber, cultura e projeções de vida. Assim como apontado no edital, compreendemos que a obra selecionada, celebra a radical e desafiadora insistência de vida, fabulação e criação construída pelo povo negro brasileiro através da arte.

Abdias Nascimento aponta que a arte afro-brasileira teria sua força nas representações diretas e indiretas das manifestações de sagrado herdadas de África e aqui assentadas e refeitas. Sabemos também que o terreiro e o barracão, de samba e da casa de santo, as vezes dos dois, foi, e é, um espaço essencial de resistências de nossas culturas. E seguem sendo constantemente atacados. 

Em um momento que o país padece, de vírus e da doença social, as tensões raciais acirradas e a máquina de moer gente a pleno vapor, essa escolha, para além de analisar a qualidade e pertinência da obra, também é um pedido de cura e liberdade.


“Silêncio, meu senhor está na terra”, canta o povo do Ayê. 

Salve a Macumba Pictórica de Pedro Ivo Cipriano.

Banca avaliadora: Lorraine Pinheiro, Raizza Prudência e Carolina Cerqueira.



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