O abismo curricular para nossos alunos

Que 2020 ficará na história, é algo que todos nós já sabemos, mas como os nossos estudantes serão afetados em meio a todo este caos? Enquanto os filhos encontram-se em casa, alguns pais se sentem no direito de não pagar as escolas. Por outro lado, os professores precisam sustentar as suas famílias. É fato que vivemos uma situação excepcional, nunca esperada e estamos todos sem saber como agir, afinal, todas as partes da sociedade estão sendo afetadas, empresários, pais, professores e, principalmente, estudantes.

No dia 14 de março de 2020, foi publicado o Decreto de n° 48.809, com “medidas temporárias para enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus, conforme previsto na Lei Federal nº 13.979, de 6 de fevereiro de 2020”, ficando determinado, segundo o Art 6°- A (acrescido pelo art. 1° do Decreto n° 48.810, de 16 de março de 2020), que a partir do dia 18 de março de 2020, deveriam ser suspensas as aulas nas escolas, universidades e estabelecimentos de ensino em todo o Estado de Pernambuco.

Desde então, as escolas públicas e particulares tentaram de inúmeras formas driblar a situação e uma das maneiras encontradas, foi “decretar” férias. Assim, o mês de abril foi considerado um mês de férias escolares para alunos e professores. Durante este tempo, empresários,  professores e também o governo, tentaram encontrar formas de fazer acontecer enquanto estamos todos em casa. No último dia 28 de abril, o Conselho Nacional de Educação (CNE), aprovou algumas diretrizes para as escolas durante a pandemia. 

Algumas das recomendações dizem respeito à reposição de carga horária no período pós-pandemia, com sugestão da utilização do recesso escolar do meio do ano, de sábados, ampliação da jornada diária por meio de acréscimo de horas em um turno ou até a utilização do contraturno. Para complementar, o CNE autorizou também os sistemas de ensino a computarem atividades não presenciais, como meios digitais, videoaulas, plataformas virtuais, redes sociais, programas de televisão, materiais entregues aos pais e alguns outros sugeridos. 

É importante lembrar, no entanto, que o problema não é apenas em Pernambuco, ou no Brasil. Segundo os dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), devido a pandemia, “cerca de 191 países decretaram o fechamento de escolas e universidades neste período, atingindo cerca de 1,6 bilhão de crianças e jovens, o que corresponde a 90,2% de todos os estudantes”.

Abril acabou e as aulas retornam no início de maio. Desde o início da pandemia, no entanto, o governo de Pernambuco vem buscando formas de atrair os alunos, e além das plataformas já existentes como o Educa-PE, criou uma nova plataforma, o Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA). O problema é que apenas 15% dos alunos estão acessando e acredita-se que é por falta de estímulo dos pais. Mas onde estão os pais dos alunos das escolas públicas? Estão em casa? Ou estão trabalhando? 

As escolas particulares funcionarão de formas diferentes. A “Escola A” manterá o horário da aula pela manhã, para as turmas do Fundamental 1 e 2, com aulas em forma de hangout, pelo Google. Já os alunos da tarde, terão períodos de aula, também como hangout. A “Escola B”, funcionará da mesma forma, além de utilizar pequenos vídeos para os alunos do Infantil. Já a “Escola C” optou por iniciar com duas aulas de 50 minutos para os alunos do Fundamental 1 e aumentar para quatro aulas no dia 15 de maio, também na forma de hangout e suspender as aulas (e o pagamento) dos alunos do Infantil. A “Escola D” dará uma hora de aula ao vivo para os alunos do Infantil.

A questão é que, ao optar por um curso EAD, o estudante sabe que precisará se dedicar aos estudos muito mais do que o estudante que tem aulas presenciais, mas ele o faz por escolha, por ter idade suficiente para arcar com a responsabilidade de assistir às aulas e estudar. Agora, as escolas querem adaptar o modelo EAD para crianças a partir dos seis anos, mantendo-as em frente ao computador por cerca de quatro horas diárias assistindo aulas, exigindo ainda o suporte dos pais. Mas e os pais que precisam trabalhar e estão em “home office”?

Por não saber como estimular os alunos a acessarem as plataformas, o governo do Estado de Pernambuco, adiou para junho às providências a respeito das escolas estaduais. Enquanto isso, as escolas particulares, seguem tentando mostrar aos pais que estão ensinando seus alunos. Os professores seguem tentando ensinar crianças em uma plataforma que não as atrai e onde, nem sempre poderão contar com o apoio dos pais. E em meio à todo o caos, as nossas crianças seguem sem, de fato, aprender. 

Fontes:

http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_contentu0026view=articleu0026id=89051

https://legis.alepe.pe.gov.br/texto.aspx?id=49417u0026tipo=TEXTOATUALIZADO

http://www.educacao.pe.gov.br/portal/?pag=1u0026cat=18u0026art=5599


Karina Mendonça é uma jornalista frustrada, designer cansada e estudante de letras motivada. Desistiu de tentar mudar o mundo e resolveu focar em salvar a próxima geração. 


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