URBI ET ORBI

URBI ET ORBI 

Eu tinha planos, ia escrever sobre o problema do estado atrelado a religião como um todo.

Mas como nem tudo são flores na vida de Joseph Klimber, o texto saiu da ficção. Sim. Saiu, e para nosso desespero, se tornou o mais infeliz departamento do nosso governo – Um Serviço Essencial para a população (?!).

Se a SECOM pode ser comparado ao ministério da verdade (1984 – o livro de George Orwell), a religião (em específico a bancada evangélica brasileira), seria parte de seus colaboradores?

Quero ressaltar algo antes de seguirmos nesta reflexão: sou um cristão protestante que viveu a maior parte da sua vida em uma comunidade de tradição histórica. Então o que coloco aqui não é um ponto contra a fé em nenhuma religião, mas uma crítica contra um modelo de sociedade cuja história sempre, e digo mais uma vez, SEMPRE, nos provou que dá errado.

Os interesses são diferentes, (ou deveriam ser), ou na verdade ambos, Estado e Religião, deveriam sim ter um interesse em comum: cuidar das pessoas, dar dignidade, oportunidade, segurança, provisão e um ambiente de confiança e transparência.

Mas, como nem tudo são flores na vida de Joseph Klimber, os dois se tornaram egoístas, sedentos por sangue e dinheiro.

O nosso desgoverno cedeu a pressão de seus coronéis e seus rebanhos (lê-se gados). Obviamente, ele liberou que toda expressão religiosa continue com seus eventos, o que é interessante pensar visto que a religião acontece na relação entre um imanente e o transcendente.

Qual o papel então das lideranças religiosas?

Entender que seu espaço físico não é mais sagrado do que a própria vida é o primeiro passo. Ou seja, A VIDA É DIVINA, É HUMANA, É SAGRADA, não são tijolos que tornam a experiência completa, são as pessoas que se encontram sozinhas e se conectam ao mistério individual e coletivo.

O papel então tem de ser o de abrir mão de suas influências como portadores do sobrenatural, e entender que o sobrenatural é natural quando aceitamos, na divindade da vida, os fardos e desgastes das rotinas. Ou então, quando entendemos que a ganância fomenta as aglomerações que geram status de fé, de confiança inabalável.

Fato é que, as lideranças religiosas anseiam a manutenção de suas estruturas, e por isso, temos líderes evangélicos se esgoelando nas redes sociais lutando contra a ciência, o mundo (que não é mau),e a população (que se assemelha a uma voz uníssona e divina), em busca de uma perpetuação da sua influência e domínio diante do governo como coronéis da democracia.

A tecnologia por muitas vezes nos afastou e por outras nos aproximou, então qual o empecilho em fazer uma live? Ou não fazer e incentivar o livre pensar e a contemplação individual dos seus fiéis? Será que o divino não acontece através do wifi, do 4g?

Não, o divino pertence a cada um de nós. Preserve-o. Não se submetam aos malucos e irresponsáveis que acham que ir aos templos é mais sagrado do que estar em casa, se cuidando, cuidando de sua família, de seus amigos.

Resista ao cabresto da religiosidade que mata desde o início do mundo.


Kariston França é apaixonado por pizza, e nas horas vagas atua como entusiasta da teologia pública.


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