O mundo acabou, pelo menos como o conhecemos.

Um dia vamos nos dar conta que o mundo acabou de vez dessa vez. Muito além de tantas vidas que findaram e tantas outras ameaçadas, nossos sistemas políticos, econômicos e modos de vida acabaram. Nossos hábitos mais corriqueiros. Nossos ódios e amores mais banais. Nosso dia-a-dia atribulado, com cada mínima janela de tempo preenchida com trabalho ou atividades, foi bruscamente interrompido. Fomos obrigados a parar. Em breve veremos que essa ruptura estilhaçou a maneira como nos sustentamos em nossas máscaras sociais.

Nesse momento em que nossas crenças são colocadas em xeque. Onde os fatos não importam tanto quanto as narrativas que podemos construir sobre eles. Em dias onde a solidão não pode ser adiada por aplicativos, nós ainda tentamos nos apegar ao que é parco, banal e pueiril. Muitos de nós ainda estão tentando fazer as mesmas coisas, esperando os mesmos resultados, como se houvesse alguma possibilidade de voltar no tempo. Sinto dizer, mas não há.

Sozinhos em nossos claustros, no vazio das redes sociais, o essencial, (invisível aos olhos), marca presença constante e incomoda de maneira angustiante. Nem os vídeos de gatinho podem mais nos distrair.

Em uma praça São Pedro escura, sob chuva e completamente vazia, o Papa Francisco, solitário, iniciou a oração Urbi et Orbis (para a cidade e o mundo). Esse ritual é reservado para a Páscoa e para o Natal, concedendo indulgência plenária aos fiéis que tenham se confessado, comungado e não cometido pecado mortal, além de dar a bênção do Santíssimo.

Todas as nossas vaidades, soberbas e iniquidades foram golpeadas junto com a o silencio estarrecedor durante a cerimônia do Papa.


Frederico Lopes é Artista, educador, encadernador e escritor. Trabalha no Memorial da República Presidente Itamar Franco e é fundador da Bodoque Artes e ofícios.


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