COVID-19: de gênio e tolo, todo mundo tem um pouco

Essa não é a primeira epidemia da história da humanidade. Certamente também não será a última. Peste Negra (de 1333 a 1351), Cólera (de 1817 a 1824), Tuberculose (de 1850 a 1950), Varíola (de 1896 a 1980), Gripe Espanhola (de 1918 a 1919), TIFO (de 1918 a 1922), Febre Amarela (1960 a 1962), além do Sarampo, Malária, AIDS e Ebola, assolaram a humanidade e colocaram em teste nossos sistemas políticos, econômicos e sociais.

Entretanto, das epidemias modernas, como a SARS-COV (2002), a MERS-COV (2012), e o atual COVID-19, o sintoma que prevalece e preocupa é a desinformação.

Mundo politicamente estranho

Não é novidade que vivemos em uma era estranha e controversa. O avanço a passos largos de ideias políticas autoritárias ao redor do mundo, oferece risco aos avanços sociais conquistados e alimenta uma lógica beligerante e segregadora no tecido social.

Acontece que, se olharmos bem ao redor, podemos dizer que uma das principais estratégias deste modelo de dominação está no uso da informação, ou na falta dela. Em outras palavras, desinformar se tornou a arma de guerra mais poderosa de todos os tempos.

Devo admitir: o modus-operandi deste projeto é brilhante. É brilhante porque parte da percepção de que, ademais do fato em si ocorrido, as interpretações acerca de determinado evento, correm à revelia dos agentes envolvidos. Então, o que resta são relatos, (geralmente imprecisos), e as possibilidades de interpretação. É neste momento que uma gigantesca máquina de pseudo-notícias se torna responsável para levar aos leitores um volume inacreditável de informações falsas, ou meias verdades. E é deste modo que o estrago é feito. Ele é feito porque é sabido que cada pessoa, na busca diária por encontrar seu viés de confirmação, acaba encontrando o dado ou notícia que vai, finalmente, confirmar sua visão de mundo e lhe trazer conforto.

A máquina de desinformação

Desse modo, podemos dizer que esse modelo atual tecnológico que utilizamos exaustivamente para trocar informações, favorece comportamentos cada vez mais polarizados e cristaliza ainda mais as convicções pessoais sobre política, economia, estética e moralidade. É assim que se institui o estado de insegurança social a partir do medo.

E é por isso que estamos diante da epidemia que foi responsável evidenciar a profundidade das fissuras sociais que criamos. Porque, para cada dado estatístico, fato confirmado e estudo científico, haverá centenas de notícias e informações falsas supostamente confiáveis, geralmente partindo de pessoas que gozam de certa credibilidade em nosso convívio social. É assim que surge a oportunidade de validar precárias visões de mundo, que se baseiam em interpretações imprecisas sobre os fatos e oferecem risco à humanidade. Nesse sentido, apesar de estarmos cientes de que não há motivo para paranóia ou obsessão com medidas restritivas, não podemos ignorar a proporção do problema que enfrentamos.

Posto isso veja bem leitor: tivemos cerca de dois meses para observar o comportamento do COVID-19 pela China e Itália. Centenas de cientistas dedicados a encontrar soluções para a erradicação do vírus compartilham diariamente os resultados de suas pesquisas pra tentar evitar que a Pandemia se torne a mais bem sucedida da história recente da humanidade.

Sem pânico, mas esteja alerta

Não se apavore, mas não finja que nada está acontecendo. Desça de sua posição ceticista arrogante para enxergar o risco que estamos correndo. Informe-se através de fontes confiáveis. Se baseie em informações oficiais e respeite diretrizes internacionais de contenção do vírus. Dados recentes comprovam a eficácia do isolamento social e de medidas individuais como a higienização cuidadosa das mãos, tossir no cotovelo e evitar aglomerações.

Essa não é a pior epidemia da história, entretanto a maneira como lidamos com ela pode mostrar que tipo de epidemia nos tornamos. Porque é certo que todos nós vamos morrer um dia. Mas muitos não precisam morrer de Coronavírus.

Veja a eficácia do isolamento social, demonstrada pelo Dr Átila Iamarino (Biólogo, Doutor em microbiologia e virologista)

Veja como o isolamento social é a forma mais eficiente de se combater o vírus na matéria do Washington Post:

Acompanhe em tempo real os números oficias de contaminação ao redor do mundo:


Frederico Lopes é Artista, educador, encadernador e escritor. Trabalha no Memorial da República Presidente Itamar Franco e é fundador da Bodoque Artes e ofícios.


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