Meu encontro com Frida

Há alguns meses atrás tive a oportunidade de conhecer o MALBA, Museu de Arte Latinoamericano de Buenos Aires.
Uma experiência incrível para uma moça como eu, que quando estudante, nem sequer sonhava com isso.

Confesso, apesar de ser formada em artes visuais, as artes plásticas não são exatamente meu campo de interesse.
Quando você estuda arte, inevitavelmente ganha um olhar muito mais analítico para a coisa. E depois de se debruçar em
centenas de textos, aulas, obras e críticas, de alguma forma, pelo menos pra mim, consumir arte começou a ter um gosto diferente.

Existe algo que tira o seu olhar leigo e as análises tomam o lugar da emoção. Obviamente esta experiência é pessoal e pode ser completamente diferente para você, leitor, ainda que tenha uma interpretação especializada na área.

O fato é que, em meio a obras incríveis como o Abapuru, de Tarsila do Amaral, A Manifestação, de Antônio Berni, as impressionantes esculturas de Ligya Clark, entre outras, Frida Khalo roubou minhas lágrimas.

Virei levemente um corredor e me vi paralisada olhando pra ela. Ela mesma, figura icônica que teve seu rosto massivamente reproduzido em estampas de bolsas, camisetas, canecas, virou até fantasia de carnaval.

Ao me deparar frente a frente com sua obra, o “Autorretrato com macaco e papagaio”, uma emoção inexplicável tomou conta de mim, e neste momento eu reconheci toda a força e poder desta mulher ao se retratar. Não me importava a técnica, nem o conceito, nem o que se passava na cabeça dela. Somente uma força hipnotizante que vinha daquele olhar e as lições que ela tinha a me dar (que não trarei a tona aqui, pois como bem sabemos, a experiência da arte é pessoal e aberta a interpretações múltiplas). Naquele momento, respirei aliviada. De alguma forma, ela restaurou minha capacidade de ver a arte com olhos mais ingênuos.

Frida me salvou. Grácias, Chica.


Nayana Mamede é CEO da própria vida, cantora de chuveiro e ganha o pão fotografando coisas e pessoas.


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