Nada Demais, Apenas a Rotina.

São 6h da manhã e o celular desperta. Eu acordo. Lavo o rosto, escovo os dentes e coloco as minhas lentes, agora, é possível ver a paisagem para além da janela. Desço as escada, confiro o relógio (tic-tac) e percebo que não tenho tempo para o café. Pois é, mais uma vez eu escolhi ficar meia hora a mais na cama. O trajeto até o trabalho é longo e eu não posso atrasar. Ah, eu esqueci de mencionar: é segunda-feira (talvez uma terça, mas se preferir, pode ser uma quarta). 

Ligo o carro, escolho a estação da rádio que me acompanhará durante o caminho. A música sempre é uma ótima amiga nos momentos de solidão, além disso, sinto que existe uma aura inexplicável envolvendo os sons que tocam na rádio. Não sei como colocar em palavras, mas creio ter a ver com o contexto e com a surpresa de ouvir algo que você não estava esperando. É sobre ser surpreendida pelo acaso e experimentar o não planejar. Eu sigo o meu caminho, canto, as vezes xingo mentalmente, bocejo, conto até dez… São 40 minutos até o meu destino. Lá eu chego, sirvo o meu café, sento-me e escrevo. Escrevo, bebo um gole de café, escrevo, um gole de água, escrevo, vou ao banheiro, escrevo e é meio dia. Bato o ponto, almoço, rio, ouço histórias (as vezes reclamo) e então bato o ponto de novo. Hora de voltar a escrever e tentar esquecer o sono com muito (mais) café (e água, pois também sei da importância de manter o corpo hidratado). 

Ainda bem que, no meio de tantas palavras escritas, sobra um tempo para a comunicação verbalizada e para as gargalhadas com os amigos. Depois de escrever sobre incontáveis assuntos é hora de voltar. Dessa vez eu não quero surpresas, só quero a companhia dos meus artistas preferidos, enquanto volto sozinha para a casa. O trajeto, agora, dura uma hora. Quando o sol se põe muitas pessoas saem dos seus trabalhos ansiosas para chegar às suas respectivas casas. Nesse momento eu normalmente observo e penso: “sou apenas mais uma”. As vezes vou mais longe: “somos, todos, apenas mais um, vivendo em um planeta que está boiando em um imenso oceano de vácuo (e matéria escura, eu li isso em um blog outro dia)”. 

Nem percebi que já estava em casa.

Entre uma conversa e outra com a família, entre um sanduíche e outro, é hora de dormir. Quando eu deito a cabeça no travesseiro, reflito: “mais um dia normal, em que nada de impressionante aconteceu. E tá tudo bem, né? Afinal, quem criou essa ideia, ou necessidade, de que a vida precisa ser surpreendentemente incrível sempre?


Luisa Biondo é redatora, mas ama desenhar e fotografar. Atualmente trabalha em uma agência de marketing e nas horas vagas faz uns rabiscos que ficam guardados na gaveta.


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