Contos de Fadas: Histórias Para Vida Adulta

Muito me admira a maneira como os contos de fadas dialogam em todas as faixas etárias na vida do ser humano.

É como ver a animação de Toy Story 4, ou ainda Rei Leão, onde os adultos lotaram cinemas para chorar e relembrar as batalhas,  as aventuras da infância e início da adolescência.

No entanto, essas animações não são o melhor da fantasia e nem o mais “indicado” para a vida adulta. Poderíamos optar por leituras como as de um grupo de pequenos homens que são impulsionados a salvar uma “terra de gigantes”, ou como o sapo que não se torna príncipe mesmo após o beijo.

De certa forma, aqui, o fantástico e a fantasia sempre despertam um ar de nostalgia e de esperança em cada espectador dessas histórias, talvez pelo fato de não termos realizado as fantasias que criamos, ou ainda porque não lidamos bem com os percalços e desgastes da vida adulta, abarrotada de compromissos tediosos e bem abaixo do que podemos – ou deveríamos – viver. Será?!

Poderíamos dizer que a rotina da vida adulta tem nos tornado insensíveis e desesperançosos de um futuro melhor ou de que teremos um dia melhor em algum momento.

Não falo de coach e nem de pensamento positivo. Falo da perspectiva de que as dificuldades são relacionadas ao mundo fantástico e belo que vivemos, (essa é uma característica que o conto de fadas nos ensina a perpetuar como adultos), vide Senhor dos Anéis de Tolkien, onde temos um mundo de fantasmas e belas criaturas, e, dentro dele, ainda temos caos e desordem.

Se na vida adulta tudo se repete na rotina de acordar cedo, tomar café, correr atrasado para o trabalho (isso parece inerente à vida adulta), almoçar algo nada saudável, fazer hora extra, sair tarde e cansado para o happy hour e ainda chegar na madrugada em casa e não dormir diretamente pois temos que lembrar das contas e as tarefas atrasadas; na fantasia, recuperamos a ótica do maravilhamento das coisas, observamos como coisas singelas são preciosas e parte importante da harmonia do mundo.

O contato com o conto de fadas, pode ser comparado a limpar as janelas do carro durante uma viagem pelo interior, caso contrário, deixamos de observar a beleza ao nosso redor e nos preocupamos apenas com a estrada à frente.

Ao observarmos as coisas e animais como um Pégaso, o nôitbus, e as águias mágicas, vemos então os cavalos como seres exuberantes em nosso mundo, encontramos prazer em viajar de ônibus e observar o mundo pelas suas janelas, as águias ganham um status mais belo e místico do que nosso imaginário já as designou.

A beleza no conto de fadas nos desperta uma nova paixão pelo mundo a nossa volta.

Essa paixão nos motiva a olhar o caos da vida real, a sua deterioração e a sua brevidade e ainda assim, sonhar com um mundo melhor, mas não apenas sonhar, o conto de fadas nos impele a uma mudança coletiva, um heroi só é heroi se houver um coletivo dando suporte, se houver por quem lutar.

Ninguém é heroi por lutar por si mesmo, mas é nomeado herói pelo sacrifício coletivo, e porque terceiros reconhecem sua jornada. A ótica do pertencimento então é extremamente importante para o nosso dia a dia.

Sendo assim, o conto de fadas nos gera além do olhar apaixonada, do senso de pertencimento, uma última característica importante: a esperança!

Em meio a futuros distópicos e previsões devastadoras para o nosso mundo real, temos a oportunidade de desfrutar a esperança assim como na literatura fantástica.

A esperança somada as outras duas características já citadas geram uma equação de resultados, mas separadas, a esperança se perde como o rei de Rohan estava definhando por magias que roubaram seus três pilares.

Precisamos aceitar que os contos de fadas possuem finais felizes, mas não perfeitos.

O anel só é destruído graças a cobiça do gollum, afinal a corrupção está passível a qualquer um de nós, tanto na fantasia quanto na vida real.

A realidade não deve ser escondida de nossas crianças assim como nós adultos não devemos fugir dos contos de fadas, mas precisamos ser como um soldado que feito prisioneiro, tem esperança, paixão e senso de pertencimento para com o mundo exterior.


Kariston França é apaixonado por pizza, e nas horas vagas atua como entusiasta da teologia pública.


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