Não Procure do Lado de Fora – (Apenas uma Reflexão Criativa)

por: Gisa Carvalho

A necessidade de criar é parte vital da identidade humana. Penso que isso se dá porque somos a imagem e semelhança de um ser essencialmente Criador! Mas como criar algo relevante em um planeta onde seus antepassados datam de até 300.000 anos, como criar algo novo, importante, revolucionário em uma era onde o mundo todo cabe na palma da mão neste globinho habitado por 7 bilhões de indivíduos?

Alguns dizem que sou uma artista, outros falam que é um dom. Eu gosto de poetizar as coisas. Diria que sou artesã – porém, uma tatuadora. Meu trabalho exige que esteja sempre (diariamente) inovando, meu público deseja novidades todos os dias. Prefiro apostar no clássico e elegante com pitada de transgressão, afinal, isso é a tattoo.

Tattoo só se torna arte para mim quando consigo trazer à tona a identidade da pessoa através da minha própria crença, minha forma de ver o mundo, a vida, a estética corporal e, por último, mas não menos importante, a experiência profissional – como se fosse uma tradução.

É tão místico que toda tattoo que faço seja minha, e, no entanto, não tenho posse nenhuma sobre ela! É como um filho… vai seguir seu próprio caminho. Me arriscaria a dizer até que se assemelha ao trabalho de um fotógrafo: a fotografia é dele, o registro, a sensibilidade, a edição – mas ele não esta na foto… Tão mágico! 

E assim surge meu processo criativo. Não a partir de uma tattoo que já existe, mas de algo que não é tattoo. Sempre preferi as flores dos jardins, fotografo pássaros, árvores e horizontes – sempre me prendendo a detalhes do pano de mesa, a estampa do vestido, o X que prende o botão à roupa. Minhas referências são as  mulheres do cinema preto e branco, suas vestimentas, seus laços, ondas do cabelo, o bordado bielorrusso de um vestido típico, um entalhe em madeira, a grade do portão, a tradição indiana de fazer desenhos com areia (ou farinha) no chão… Deveria ser assim em todas as áreas que exigem criatividade, pois pintar como Picasso só vai levar a quadros que lembram seu cubismo.

Hoje técnicas antigas dos treinadores de times esportivos estão invadindo consultórios psicológicos para garantir novos resultados isso é uma solução criativa! Usar uma ferramenta conhecida de forma nova. Desenvolver a criatividade não é realmente estar no escuro e ascender uma lâmpada de repente! Isso pode até ser entendido como ideia, mas essa ideia só se torna criativa quando conseguimos fazer uma bomba com chicletes, pedaços de fio e um relógio parado. É quando vc usa o que já  tem à sua disposição de um jeito diferente. Dessa forma, um arquiteto não  tem que estar sempre inspirado e conectado “pra coisa fluir”, as vezes é só mesmo uma questão de disciplina e trabalho duro.

Independente da sua area de atuação, não insista em agradar a todos, não repita o que todos os homens de sucesso fizeram, – até porque muitos nem sabiam como estavam fazendo, e vários apenas acreditavam em seus sonhos, sabiam o que queriam fazer!

Gosto de citar uma frase da escritora Joyce Meyer: “muitas pessoas não estão vivendo seus sonhos porque estão vivendo seus medos”, o medo de errar, de se frustrar, medo de decepcionar o outro, desagradar, de não ser capaz, de tentar, de não conseguir – verdadeiramente o medo nos paralisa.

Estamos nós a altura deste cargo, desta tarefa? Ter medo de qualquer coisa aniquila todas as possibilidades criativas que estão disponíveis?

Acredito que basta vasculhar a caixola de forma persistente e pegar todo este conhecimento que se recebe, seja de forma academica ou secular, usando sua verdadeira personalidade, a individualidade, identidade única de cada ser para se tornar mais criativo.

Silenciar por um instante todas as vozes da mídia, sociedade, grupos sociais… e perceber que o que é realmente necessário já foi colocado dentro de cada um, arregaçar as mangas e mãos à obra!


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