Ver ou Ser Visto

por: Lucas Menezes

Todos já ouvimos a célebre frase contemporânea de que: “a tecnologia aproxima quem está longe e afasta quem está perto”, mas, hoje, vamos conversar sobre outro ponto negativo de nossa sociedade.
Semana passada pude ter a honra de ir à uma exposição realizada pelo MASP, em São Paulo, sobre o grande ícone da pintura modernista brasileira Tarsila do Amaral. E, como eu já esperava, haviam várias pessoas que simplesmente paravam, fotografam e partiam pra próxima obra, percorrendo toda a exposição somente pelos olhares de seu caríssimo celular.
Infelizmente essa situação não é esporádica. Sempre vejo pessoas indo para os mais belos zoológicos, aquários, shows de música e exposições de arte sendo intermediados apenas pelas lentes das câmeras de seus smartphones, perdendo aquela grande experiência de estar ali no momento, trocando o observar de detalhes e emoção do ao vivo por fotos e vídeos mal gravados, muitas vezes, que vão simplesmente servir para postarem em suas mídias sociais e mostrar para seu circulo de amizades que “eu estava lá”.
Não tem como falar sobre isso e não citar Walter Benjamin, estudioso das questões da aura artística, e sua reflexão sobre o valor único da obra de arte e da experiência de estar junto a ela. Quando trocamos o conforto de ver nosso artista em casa do nosso sofá ou pelas páginas de um livro para poder assisti-lo ao vivo nós estamos querendo algo mais, estamos atrás de uma experiência única, que somente o ao vivo pode proporcionar: a experiência da aura artística.
E aí concluo minha conversa deixando para vocês uma pergunta que assombra meu ser: O que é mais importante, sua vida física ou sua vida virtual? Viver o momento intensamente ou mostrar a todos que você viveu?

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